Como Acontece uma Sessão de Psicoterapia Contemplativa e Sistêmica comigo
- Andréa Profeta

- 6 de ago.
- 8 min de leitura
Muita gente chega à terapia online com uma dúvida bem simples: “Tá, mas o que acontece de verdade numa sessão?” E essa pergunta é ótima, porque terapia não precisa ser uma caixa-preta.
Numa abordagem contemplativa e sistêmica, a sessão não é só um espaço para falar sobre problemas. Também é um espaço para observar a mente, reconhecer emoções no corpo, entender padrões de relação e treinar novas formas de responder à vida.
A base aqui conversa com três autores importantes: Joe Loizzo, Alan Wallace e Paul Ekman. Cada um contribui por um caminho diferente. Loizzo aproxima práticas contemplativas, psicoterapia e neurociência. Wallace aprofunda o treino da atenção e da consciência. Ekman ajuda a entender as emoções, suas expressões e seus sinais no corpo e no comportamento.
Na prática, isso vira uma sessão humana, simples e bem pé no chão.

A sessão começa com chegada e presença
Antes de falar sobre o que aconteceu na semana, existe um momento de chegada. Parece pequeno, mas muda muito o ritmo da sessão.
A pessoa se acomoda, percebe a respiração, nota o corpo e começa a sair do “modo automático”. Na terapia online, isso pode acontecer do jeito mais simples possível: sentar num lugar tranquilo, ajustar a câmera, beber uma água, fechar os olhos por alguns instantes e perceber como está chegando.
Esse começo é inspirado, em parte, pelo trabalho de Alan Wallace sobre atenção. Wallace fala muito sobre o cultivo da estabilidade atencional, especialmente em práticas contemplativas como shamatha. Não é uma tentativa de “esvaziar a mente”. É mais como aprender a pousar a atenção, perceber distrações e voltar com gentileza.
Numa sessão, isso pode aparecer assim:
observar a respiração por um ou dois minutos;
notar tensões no rosto, ombros, peito ou barriga;
perceber se a mente está acelerada, pesada, dispersa ou alerta;
nomear o estado interno com palavras simples.
Algo como: “Chego ansiosa, com aperto no peito e pensamento correndo.”
Só isso já dá material clínico. O corpo começa a mostrar o que a mente ainda não organizou em palavras.
O relato não vem sozinho, ele vem com contexto
Depois dessa chegada, a conversa começa. A pessoa pode trazer uma situação específica, uma crise, uma relação difícil, uma decisão, um medo, uma repetição que cansou.
A parte sistêmica entra aqui. Em vez de olhar o sofrimento como se ele estivesse isolado dentro de uma pessoa, a sessão considera o contexto: família, relacionamentos, trabalho, cultura, perdas, vínculos, papéis e padrões repetidos.
Por exemplo, alguém pode dizer:
“Eu travo toda vez que preciso dizer não.”
A sessão não vai tratar isso apenas como uma dificuldade individual. Ela pode investigar:
onde essa pessoa aprendeu que dizer não era perigoso;
que consequências ela teme nas relações;
que papel costuma ocupar nos vínculos;
como o corpo reage antes mesmo de ela responder;
que emoções aparecem quando tenta se posicionar.
Esse olhar sistêmico ajuda a tirar a culpa do centro. A pergunta deixa de ser “o que tem de errado comigo?” e passa a ser “como esse padrão se formou, como ele se mantém e que novas respostas podem nascer agora?”.
Isso faz uma grande diferença, especialmente na terapia online, porque a vida real está logo ali. Às vezes a pessoa está falando do quarto, da sala, do lugar onde vive muitos dos seus padrões relacionais. O ambiente também comunica.
A emoção é observada no corpo, no rosto e na história
Paul Ekman é uma referência importante quando falamos de emoções. Seu trabalho ficou conhecido pelo estudo das expressões faciais, das emoções básicas e dos sinais emocionais que surgem muitas vezes antes da pessoa conseguir explicar o que sente.
Numa sessão, isso não significa ficar “analisando o rosto” de forma fria ou tentando adivinhar verdades escondidas. Nada disso. A contribuição de Ekman aparece mais como um convite para observar com cuidado:
que emoção está presente;
como ela se manifesta no corpo;
qual impulso ela traz;
que pensamento vem junto;
que expressão aparece no rosto ou na voz;
o que a pessoa costuma fazer quando essa emoção chega.
Raiva, medo, tristeza, nojo, alegria e surpresa podem aparecer misturadas. Muitas vezes, a pessoa chega dizendo “estou confusa”, mas a investigação revela medo de decepcionar, tristeza por não ser vista e raiva por ter passado do próprio limite.
A emoção deixa de ser inimiga. Ela vira informação.

A prática contemplativa entra como treino, não como performance
A psicoterapia contemplativa não pede que a pessoa vire “zen” ou fique calma o tempo todo. Esse é um mal-entendido comum.
A prática contemplativa entra como treino de relação com a experiência. Ou seja, como eu me relaciono com o que sinto? Eu fujo? Brigo? Me julgo? Me anestesio? Tento controlar tudo? Desabo?
Joe Loizzo contribui muito para esse campo ao integrar psicoterapia, tradições contemplativas e conhecimentos sobre mente e cérebro. Em uma sessão inspirada por esse tipo de visão, a prática não fica separada da vida emocional. Ela ajuda a transformar a maneira como a pessoa habita a própria experiência.
Pode haver momentos de:
atenção plena à respiração;
escaneamento corporal;
visualização compassiva;
investigação de pensamentos recorrentes;
pausa consciente antes de responder a um tema difícil;
prática de autocompaixão;
observação de emoções sem agir imediatamente a partir delas.
A ideia é criar um espaço interno entre o gatilho e a reação. Esse espaço é precioso. É nele que uma resposta nova pode aparecer.
Esse ponto também conversa com a ciência contemplativa, que estuda práticas como meditação, compaixão e treino da atenção em diálogo com psicologia, neurociência e outras áreas do conhecimento.
Uma sessão costuma ter um fluxo vivo
Não existe um roteiro rígido, mas existe uma direção. Uma sessão pode seguir um fluxo mais ou menos assim.
Chegada e regulação
A sessão começa com uma breve pausa. A pessoa percebe como está e o terapeuta ajuda a regular o ritmo. Se há muita ansiedade, a prioridade pode ser estabilizar. Se há muita desconexão, o foco pode ser voltar ao corpo.
Regulação não é “parar de sentir”. É conseguir sentir sem ser engolido.
Escolha do foco
Depois, aparece a pergunta: o que precisa de atenção hoje?
Às vezes o foco é claro. Uma briga, uma decisão, uma crise de choro. Em outros dias, a pessoa só sente um peso confuso. Tudo bem. O trabalho também pode começar pelo que ainda não tem forma.
Investigação da experiência
Aqui, a sessão olha para pensamentos, emoções, sensações e padrões relacionais. O terapeuta pode fazer perguntas como:
“O que acontece no seu corpo quando você fala disso?”
“Que emoção parece mais forte agora?”
“Essa cena lembra alguma dinâmica antiga?”
“Que resposta você gostaria de conseguir dar?”
“O que você teme que aconteça se agir diferente?”
Essas perguntas ajudam a ligar presente e história sem prender a pessoa no passado.
Prática ou experimento
Em algum momento, pode entrar uma prática breve. Por exemplo, respirar com atenção, imaginar uma conversa difícil, dar voz a uma parte interna, observar uma emoção no corpo ou ensaiar uma resposta mais alinhada.
Esse experimento precisa ser seguro e possível. Não adianta propor algo distante da vida real. A prática boa é aquela que a pessoa consegue levar para terça-feira à tarde, no meio de uma conversa difícil.
Integração e próximos passos
No fim, a sessão organiza o que foi percebido. O terapeuta pode ajudar a nomear padrões, emoções e descobertas. Também pode sugerir uma prática simples para a semana.
Não precisa ser uma tarefa enorme. Pode ser:
pausar antes de responder uma mensagem difícil;
observar onde a ansiedade aparece no corpo;
anotar situações em que surge culpa;
praticar três minutos de respiração por dia;
perceber quando entra no papel de agradar todo mundo.
A continuidade acontece entre as sessões.

O terapeuta não força respostas prontas
Uma sessão contemplativa e sistêmica não funciona como conselho rápido. Claro que orientações podem aparecer, mas o centro do trabalho é outro: ajudar a pessoa a enxergar com mais clareza o que vive, o que repete e o que pode cultivar.
Esse processo exige delicadeza. Algumas emoções precisam de acolhimento antes de qualquer mudança. Alguns padrões foram estratégias de sobrevivência. Talvez agradar todo mundo tenha sido uma forma de evitar conflito. Talvez se fechar tenha sido uma forma de proteção. Talvez controlar tudo tenha ajudado em algum momento de instabilidade.
A terapia não precisa destruir essas defesas à força. Ela pode perguntar com cuidado: isso ainda serve? Em que situações ajuda? Em que situações machuca? Que outra possibilidade pode nascer?
Esse jeito de trabalhar evita dois extremos. De um lado, ficar só pensando e analisando. Do outro, tentar “meditar por cima” das feridas. A sessão une corpo, emoção, história, relação e prática.
Como isso aparece em uma situação real
Imagine uma pessoa que busca terapia online porque vive exausta nos relacionamentos. Ela diz sim quando quer dizer não, se culpa quando impõe limites e sente medo de ser rejeitada.
Na sessão, o trabalho pode começar com uma pausa para perceber o corpo. Ao falar sobre limite, ela nota aperto na garganta. Depois percebe tristeza e medo. Investigando a história, aparece um padrão familiar: quando discordava, era vista como difícil.
A partir daí, a sessão pode trabalhar em três níveis.
No nível contemplativo, a pessoa aprende a ficar alguns segundos com o medo sem obedecer automaticamente a ele.
No nível emocional, começa a diferenciar culpa, medo e tristeza.
No nível sistêmico, enxerga como o papel de “não dar trabalho” foi construído nas relações.
Depois, pode ensaiar uma frase simples para a semana: “Eu não consigo assumir isso agora.” Não como fórmula mágica, mas como primeiro gesto de um novo padrão.
Terapia online também precisa de cuidado com o ambiente
Como a sessão acontece pela internet, alguns detalhes ajudam muito:
escolher um lugar com privacidade;
usar fone de ouvido, se possível;
deixar água por perto;
evitar fazer a sessão dirigindo ou em lugares muito expostos;
reservar alguns minutos depois para não sair correndo.
Esse cuidado cria uma espécie de “sala terapêutica” dentro da própria casa. Não precisa ser perfeito. Precisa ser suficientemente seguro.
Também vale lembrar que terapia é um cuidado em saúde mental. Este texto é informativo e não substitui uma avaliação profissional. Em situações de risco, crise intensa ou emergência, é essencial buscar ajuda imediata nos serviços adequados.
Quando essa abordagem pode ajudar
Esse tipo de trabalho pode ser útil para quem sente que entende muita coisa racionalmente, mas continua repetindo padrões. Também pode ajudar quem percebe emoções intensas, dificuldade de presença, ansiedade, autocrítica, conflitos relacionais ou sensação de viver no automático.
A força dessa abordagem está em juntar clareza e treino. Não fica só no “por que eu sou assim?”. Também pergunta: “como eu pratico outro modo de estar comigo e com os outros?”.
Se quiser conhecer esse trabalho com mais calma, você pode ver mais sobre psicoterapia contemplativa e sistêmica online.
Perguntas frequentes
Preciso saber meditar para fazer esse tipo de terapia?
Não. A prática é conduzida de forma simples e adaptada. Começa com pausas curtas, percepção do corpo e atenção à respiração. Ninguém precisa ter experiência prévia.
A sessão é só conversa ou tem prática?
Tem conversa e pode ter prática. A fala ajuda a organizar história, emoções e relações. As práticas ajudam a perceber o corpo, regular emoções e treinar novas respostas.
Dá para fazer esse trabalho online?
Sim. A terapia online pode funcionar muito bem quando há privacidade, boa conexão e um espaço minimamente tranquilo. O vínculo terapêutico também pode ser construído pela tela.
Essa abordagem substitui acompanhamento médico?
Não. Psicoterapia não substitui avaliação médica ou psiquiátrica quando ela é necessária. Em muitos casos, os cuidados podem caminhar juntos.
Vou receber exercícios para fazer entre as sessões?
Pode acontecer. Em geral, são práticas simples, como observar emoções, fazer pausas conscientes, registrar padrões ou treinar uma resposta diferente em situações do cotidiano.

Uma sessão de psicoterapia contemplativa e sistêmica é, no fundo, um encontro com a experiência real. Aquela que aparece no corpo, na emoção, na história e nas relações.
Com Loizzo, entra a integração entre contemplação, psicoterapia e transformação. Com Wallace, o treino da atenção e da presença. Com Ekman, a escuta cuidadosa das emoções e de seus sinais. E com o olhar sistêmico, tudo isso ganha contexto.
A mudança não acontece porque a pessoa “pensa positivo” ou se força a ficar calma. Ela começa quando consegue se perceber com mais honestidade, menos julgamento e mais recursos para escolher o próximo passo.
Quer experimentar esta abordagem comigo? Entre em contato e agende sua sessão aqui mesmo no meu site. Te espero!



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